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Duplicata escritural: por que o risco sacado ficou mais interessante para investidores, especialmente nos FIDCs
Resumo por IA TL;DR
O risco sacado ficou fragilizado ou simplesmente mais transparente e fortalecido.
A pergunta ajuda a organizar um debate que, nas últimas semanas, tem sido tratado com excesso de ruído e pouca leitura econômica.
A duplicata escritural não muda a essência do crédito mercantil, mas altera de forma relevante a forma como o risco é observado, […].
O risco sacado ficou fragilizado ou simplesmente mais transparente e fortalecido? A pergunta ajuda a organizar um debate que, nas últimas semanas, tem sido tratado com excesso de ruído e pouca leitura econômica.
A duplicata escritural não muda a essência do crédito mercantil, mas altera de forma relevante a forma como o risco é observado, precificado e distribuído. Para o mercado de investimentos, e, em especial, para os FIDCs, isso faz toda a diferença.
Ao longo da última década, o risco sacado se consolidou como uma das engrenagens mais eficientes do financiamento empresarial no Brasil. Escalável, previsível, transparente e objetivo para o próprio sacado e competitivo em custo, tornou-se peça-chave do capital de giro de cadeias produtivas inteiras.
Ainda assim, carregava uma assimetria estrutural: o risco jurídico e informacional era, muitas vezes, implícito. Existia, mas não estava claramente visível do ponto de vista contábil, ou, em algumas situações, havia preocupações sobre a unicidade do título de crédito.
A duplicata escritural surge exatamente para corrigir esse ponto. Não como uma ruptura regulatória, mas como um passo de amadurecimento de mercado. Ela não cria um novo produto financeiro. Ela melhora a qualidade do ativo que já existe.
Transparência não destrói mercado, melhora preço
A prioridade registral foi inicialmente percebida como uma ameaça ao risco sacado e, em certa medida, como um risco à própria continuidade das operações de antecipação de recebíveis em estruturas como os FIDCs. Na prática, o efeito tende a ser o oposto.
Quando a prioridade passa a ser determinada pelo registro, devidamente sustentado por processos, tecnologia e contratos bem estruturados, e não por acordos pouco visíveis, o mercado ganha um atributo essencial para qualquer classe de ativo madura: previsibilidade.
Isso não elimina risco. Mas torna o risco mensurável.
E risco mensurável é risco que pode ser mais bem precificado, comparado e distribuído com mais eficiência, exatamente o que investidores institucionais buscam.
Importante notar o que não muda: não há exclusividade permanente de financiamento, não existem travas globais automáticas, não há migração forçada de recebíveis nem perda de controle por parte das empresas. A lógica econômica do crédito permanece a mesma. O que muda é a qualidade da informação.
Contratos antigos, risco antigo, agora visível
Outro ponto que inflou o debate foi a visibilidade de contratos bancários legados que utilizam recebíveis mercantis como garantia. Esses contratos não surgiram com a duplicata escritural. Sempre existiram. O que muda é que deixam de ser invisíveis.
“O risco não nasce com a duplicata escritural. Ele apenas passa a ficar exposto”, observa a Cashforce, plataforma especializada em infraestrutura para risco sacado. “A regulação não cria novos direitos para bancos, mas exige que direitos previamente constituídos sejam respeitados quando existirem.”
Para o investidor, isso é um ganho, não uma perda. Ativos que carregam riscos ocultos tendem a ser mal precificados. Ativos transparentes permitem análise mais fina, melhor estruturação e spreads mais aderentes à realidade do risco.
Além disso, a expectativa é que esse novo ambiente amplie significativamente o volume de duplicatas, saindo da casa dos bilhões para a dos trilhões de reais. O resultado é um mercado maior, mais profundo e mais líquido: o bolo cresce, as oportunidades se multiplicam e todos ganham.
O verdadeiro divisor de águas: operação
O ponto menos regulatório, e mais econômico, da duplicata escritural está na operação. O título passa a ser único e verificável, mas o processo continua sendo responsabilidade das empresas e dos agentes financeiros.
Empresas sem governança clara sobre contas a pagar, validação de títulos, exceções comerciais e conciliações tendem a sentir mais atrito. Não porque o sistema seja mais rígido, mas porque ficou mais exposto.
“O risco real não é regulatório. É operacional”, resume a Cashforce. “A duplicata resolve o título, mas não resolve o processo. O cedente mal-intencionado continuará encontrando brechas se o fluxo não estiver bem estruturado, emitindo notas fiscais frias, escriturando múltiplas duplicatas sobre a mesma venda e se valendo de sacados que não participam ou não estão conectados ao processo. Por isso, tão importante quanto resolver o título é resolver o processo de ponta a ponta.”
Para o investidor, essa distinção é crucial. Ela separa estruturas robustas de estruturas frágeis, algo que, até aqui, muitas vezes só aparecia tarde demais.
O impacto direto sobre os FIDCs
É nesse ponto que o interesse do mercado de investimentos se intensifica. A duplicata escritural eleva o padrão do ativo subjacente aos FIDCs. Reduz risco jurídico, diminui sobreposição de direitos creditórios, melhora a rastreabilidade e aumenta a clareza sobre gravames existentes.
Na prática, isso significa carteiras com menor probabilidade de disputas, maior segurança na cessão e mais capacidade de escalar originação sem comprometer governança.
“Quando a duplicata passa a existir de forma única e verificável, o risco deixa de ser implícito e passa a ser mensurável. Isso melhora a precificação e amplia o mercado”, afirma a Cashforce.
Com ativos mais padronizados, os FIDCs ganham eficiência operacional. O onboarding de cedentes tende a ser mais rápido, o retrabalho diminui e o ciclo entre originação, registro e liquidação encurta. O efeito direto é maior liquidez e menor custo de capital, dois fatores centrais para fundos que disputam alocação em um ambiente mais competitivo.
Para investidores institucionais, o ganho é ainda mais evidente: uma classe de ativos mais comparável, mais auditável e menos dependente de estruturas idiossincráticas
Onde a Cashforce entra na equação
A diferença entre um avanço jurídico e um ganho econômico está na execução. É nesse espaço que a Cashforce atua como camada de orquestração do novo ecossistema.
Ao integrar tecnologia, governança e processo, a plataforma permite que empresas sacadas operem a duplicata escritural sem ruptura de seus fluxos, que FIDCs tenham ativos claros, rastreáveis e auditáveis e que financiadores concorram em bases mais equilibradas. Para fornecedores, o resultado é acesso a crédito com menos fricção e mais previsibilidade.
“Sem uma camada operacional, a duplicata escritural corre o risco de ser apenas um avanço formal. Com integração e processo, ela se transforma em eficiência econômica”, conclui a Cashforce.
No fim, a duplicata escritural não torna o risco sacado mais perigoso. Ela o torna mais adulto. E mercados adultos, quando bem estruturados, tendem a atrair mais capital, não menos.